quinta-feira, agosto 10, 2006

Séries Animadas I -" Bom Dia Benjamim"

Série: "Bom Dia Benjamim!"

Ano: 2001
Distribuidora:Animais Lda.
Financiadora:Animais Lda / ICAM
Produtora:Animais Lda.
Duração: 184 episódios de 30 segundos cada, num total de 92 min
Classificação: Série destinada a crianças entre os 3 e os 7 anos
Realização:Nuno Amorim Produção Executiva:Nuno Amorim
Argumento: Maria João Cruz, Patrícia Casatenheira e Miguel Viterbo
Música:Paulo Curado
Som:Paulo Curado e José Peixoto
Técnica: Flash
Animação:Miguel Braga e Sandro

"Bom Dia Benjamim!" começou por ser um disco / livro, que surgiu a partir de uma ideia original de José Peixoto, mais tarde a ideia é desenvolvida e a personagem ganha vida!
Hoje, "Bom dia Benjamim!" é uma série de animação portuguesa concebida para televisão, em 184 episódios de 30 segundos. Cada um destes episódios conta uma pequena história, real ou imaginária, da vida de Benjamin, um rapazito de 6 anos "que vive num mundo quase a duas dimensões, uma flatland desenvolvida no imaginário visual do livro homónimo, onde os pais, os amigos, os brinquedos, os objectos e as acções do quotidiano são por ele observados de forma peculiar".
A série associa ainda ao seu carácter lúdico, uma componente pedagógica, tendo sido exibida na RTP2.


Imagem da Série "Bom dia Benjamim!"


Excerto do Magazine FLIP, exibido na RTP2 dia 9 de Junho de 2007

terça-feira, agosto 08, 2006

7 Técnicas, 7 Filmes

Cada filme de animação é singular. Não só pelo seu conteúdo, mas sobretudo pela técnica que usa para lhe dar forma.Existem várias técnicas de animação, desde a animação directa em película, passando pela animação tradicional, de volumes, recortes, retalhos...Apresentamos aqui as 7 técnicas mais comuns, e para cada técnica um filme de animação português, claro está!

Animação Tradicional

Este é o tipo de animação mais comum. O suporte varia entre a folha de papel, o acetato, ou o vidro. Os materiais riscadores também variam, o carvão, os lápis de cor ou de cera e a grafite são os materiais mais utilizados.

Filme: "Eu quero a Lua" (1970) de Artur Correia

Animação de Recortes

Esta técnica assenta no uso de recortes. O animador pode recorrer a recortes de revista, ou fabricar os seus próprios modelos.

Filme: "Automania" (1943) de Servais Tiago

Animação de Volumes

A animação de volumes consiste na animação de objectos volumétricos, frame a frame. As pastas de moldar, a plasticina, o barro, o látex, a borracha ou a resina são os materiais mais utilizados.

Filme: "A Suspeita" (1999) de José Miguel Ribeiro

Página oficial do filme : http://www.atalantafilmes.pt/2001/asuspeita/#


Salcedas, personagem do filme "A Suspeita"

Animação de Areia

De todas as técnicas apresentadas esta é talvez a menos comum. Consiste me trabalhar a areia, ou quaisquer outros materiais granulados sobre um vidro disposto na horizontal e iluminado por baixo. O animador cria as suas figuras sobre este vidro.

Filme: "O Clandestino" (2000) de Abi Feijó.

Imagem Produzida em Areia

Disponível em www.historiatragicacomfinalfeliz.com

Animação em Placas de Gesso

Esta técnica consiste em pintar ou desenhar sobre placas de gesso. A animação final adquire um aspecto muito característico, devido à textura do gesso riscado.

Filme: "A Noite" (1999) de Regina Pessoa.

Placa de Gesso esculpida por Regina Pessoa

Animação por Computador (3D)

Devido à crescente inovação tecnológica, os animadores têm à sua disposição inúmeros programas de software que possibilitam a animação usando exclusivamente o computador. A animação por computador (3d) tornou-se popular mundialmente, em grande parte devido aos filmes produzidos pelos estúdios da Pixar, nos Estados Unidos da América.

Filme: "O Super Caricas" (2003) de Cláudio Jordão

Imagem do filme "O Super Caricas" de Cláudio Jordão

Imagem cedida por Cláudio Jordão

Pixiliação

Esta técnica consiste na captação de imagens estáticas de pessoas, o que provoca um efeito saltitante, aquando a projecção das imagens. É uma técnica que requer muito esforço e expressividade por parte dos actores, que têm de se manter imóveis a cada captura!

Filme: "O Médico e a Duquesa" (1982) de Ricardo Neto

segunda-feira, agosto 07, 2006

Avanca 2006

Realizou-se entre 26 e 30 de Julho, a 10ª edição dos encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia de Avanca.
Este Festival, que completou este ano o seu 10º aniversário, apresentou aos seus participantes 10 workshops dos quais três estavam especialmente direccionados para a animação:


Cinema e Pintura - Um Espaço Criativo Para Protagonistas
Este workshop, orientado por Sylvia Kristel (Holanda), Ruud Den Drijver (Holanda) e Juan de Graaf (Holanda) tinha como ponto de partida o filme de animação "Topor et Moi" , realizado por Sylvia Kristel, onde a pintura e o cinema se misturam deliciosamente.
Os participantes tiveram a oportunidade de discutir com Sylvia Krystel, Ruud Den Drijver, Dorna e Juan de Graaf as relações possíveis entre a pintura e o cinema de animação. houve espaço para o visionamento de filmes, e ainda para a realização de pequenos exercícios práticos propostos pelos orientadores.
Os participantes tiveram ainda contacto com Juan de Graaf, o animador escolhido para dar vida ao filme, que partilhou a sua experiência como animador, revelando parte do processo criativo de "Topor et moi", assim como de outros filmes da sua autoria.

Orientadores: Ruud, Juan e Dorna
Desenvolver Projectos de Animação Para ou de Adultos
O Workshop de Animação Para Adultos contou com a presença do Orientador Jean-Paul Walravens (Bélgica), também conhecido como Picha.
Este realizador de 64 anos, é um dos mestres do desenho animado satírico e provocador e autor de diversas longas-metragens de cinema de animação "de adultos".
Aos participantes deste workshop foi proposta a realização de um projecto de animação para adultos em que se deveria escolher um fim alternativo para a história da "Branca de Neve".
Orientador: Picha
Controlar a Luz na Animação de Pixiliação
Orientado por Urmas Jõemees (Estónia), este workshop foi um dos mais produtivos do festival, tendo sido apresentada no final uma série de pequenos filmes/exercícios realizados pelos participantes.

terça-feira, agosto 01, 2006

Critíca - "Esperânsia", de Cláudio Jordão


Filme: "Esperânsia"
Realizador: Cláudio Jordão
Som: João Paulo Nunes
Produtor: António Costa Valente
Data de Produção: Set/Out de 2005 até Junho de 2006
Data de Estreia: 27 de Julho de 2006 no Festival de Avanca
Técnica: Animação 3D
Duração : 8' 15''

Estreou dia 27 de Julho, no festival de Avanca, o mais recente filme de Cláudio Jordão, "Esperânsia".
O título deixa-nos já adivinhar um pouco da história, onde uma mistura de esperança e ansiedade conduzem os seus protagonistas a um final inevitavelmente romântico, envolvendo o espectador num misto de nostalgia e tristeza.
Apesar de ser um filme digital em 3D, o seu aspecto estílistico assemelha-se um pouco ao da animação tradicional, sendo de destacar o fabuloso movimento conseguido no esvoaçar do vestido da personagem feminina e, embora o filme se encontre repleto de elementos românticos como a lua, o rochedo, ou a cruz de Cristo, é através da cor (preto e branco) que melhor representa os sentimentos e estado de alma vividos pela personagem feminina.
"Esperânsia" é uma história do passado, uma história da memória, da cultura e das mulheres portuguesas, que nos é apresentada num futuro distante.

Fotograma do filme Esperânsia de Cláudio Jordão

Imagem cedida por Cláudio Jordão

segunda-feira, julho 17, 2006

"His Master's Voice" - Animação ou não?

No livro "História do Cinema Português de Animação - Contributos", podemos encontrar uma referência a este anúncio. Esta referência, questiona no entanto, se o pequeno anúncio seria ou não animado. Facto que a confirmar, faria de "His Master's Voice" [1], de Luís Nunes, o primeiro "filme" animado português.
Acontece que a única fonte de informação relativa a este filme é Luís Nunes, o seu realizador, que, numa entrevista, publicada no suplemento "Vida" N.º 3 do semanário INDEPENDENTE, ano 1, N.º 25, de 4 de Novembro de 1988 afirma:

"Fiz esse filme para os cinemas de Lisboa, vendi-o para Inglaterra e acabei por perder o quinto ano do liceu. Fui para a China, fui para a Rússia, para toda a parte. Enquanto durou o dinheiro, nunca mais voltei aqui a Portugal. Tinha era que arranjar sempre uma pessoa que depois me acompanhasse em viagem, porque eu era menor. E pagava aquilo tudo! Foi tanto o dinheiro que recebi que fazia isso!"

As afirmações de Luís Nunes são curiosas. Não deixa de ser estranho que o"primeiro filme publicitário internacional" fosse realizado em Portugal por um miúdo com treze anos de idade, e as afirmações seguintes parecem-me, no minímo, exageradas...
Para comprovar então a existência do filme, consultámos o prontuário de José Matos-Cruz. De facto o filme é mencionado no prontuário, mas acresce de uma chamada que refere que a data e os elementos foram referenciados por Luís Nunes. Parece que entramos num beco sem saída...
Consultei então Paulo Cambraia [2], historiador de cinema de animação português, que por sua vez já tinha consultado outros dois historiadores/investigadores: José Matos-Cruz [2] e Fátima Marques [2].
Temos então a mesma opinião de três pessoas diferentes:

Segundo J.Matos-Cruz tratou-se de um filme publicitário, constando apenas a animação no "packshot" [3].
Temos assim, que seria um filme de imagem real.

Segundo a Fátima Marques, tratou-se de um filme imagem real, que no final apresentava a imagem de um cão a olhar um gramofone, de onde saia a voz do dono. Neste packshot, a boca do cão abria e fechava.

Segundo Paulo Cambraia, o anúncio não deve ser qualificado como animação, uma vez que a "suposta" animação surge apenas no final do filme de imagem real, limitando-se à abertura e fecho da boca do cão.
Reserva ainda algumas dúvidas quanto ao realizador do filme, afirmando que "Luís Nunes, eventualmente terá feito a boca mexer".

Não existindo material fílmico para o provar, podemos então concluir que "His Master's Voice" é um filme publicitário de imagem real, onde figura no plano final, uma "tímida" animação da boca do cachorro.
O filme não deve assim ser confundido com uma animação, no verdadeiro sentido da palavra.
Estes factos reforçam o legitimidade de "O Pesadelo de António Maria" como primeiro filme de desenhos animados português.

[1] A 11 de Fevereiro de 1899 Barraud regista o quadro "Dog looking at and listening to a Phonograph", que mais tarde viria a alterar o nome para "His Master's Voice". O quadro foi comprado por uma empresa discográfica que fez dele a sua imagem de marca, contudo, só em 1910 seriam registados como trademark, tanto o quadro como o título.
Para os mais curiosos, podem consultar a página http://www2.danbbs.dk/~erikoest/nipper.htm

[2] Paulo Cambraia, José Matos-Cruz e Fátima Marques são historiadores/investigadores de Cinema. Sendo José Matos-Cruz historiador de cinema português e Paulo Cambraia e Fátima Marques de cinema português de animação

[3] - "packshot" - calão publicitário.
É usado para designar um "plano de produto", ou seja, o plano que surge no final dos filmes publicitários mostrando o produto.



Imagem da marca "His Master's Voice"

©1997, 1998 Erik Østergaard, Copenhagen, Denmark.