terça-feira, outubro 13, 2009

Filmes XXVIII - "Melodia Amarga", de Pedro Moura

Título: Melodia Amarga
Ano: 2008
Formato: Betacam SP
Duração:10' 30''
Realizador: Pedro Moura
Produtor: Pedro Teles Ramos e Luís da Matta Almeida
Argumento: Pedro Moura, Leonor Castelo Pinto e Pedro Teles Ramos
Montagem: Pedro Moura e Joel Cardoso
Música: Luís Cipriano
Som: Paulo Curado
Animação: Carina Beringuilho e Osvaldo Medina
Técnica de animação: Desenho sobre papel

Sinopse: Retrato de uma relação fria e distante entre um casal de músicos dentro das quatro paredes da sua casa. A música é o elo comum entre eles, mas quando esta faz com que finalmente se aproximem pode já ser tarde de mais.



Imagem do filme "Melodia Amarga", de Pedro Moura


MELODIA AMARGA, Pedro Moura 2008 (Bitter Melody) 10' from Pedro Moura on Vimeo.



Entrevista Amarga (Bitter Interview) 19' from Pedro Moura on Vimeo.

terça-feira, outubro 06, 2009

Séries Animadas VI - Mulher

Realizador: Irina Calado
Vozes: Alfredo Brito, Dora Bernardo, Humberto Santana, João Saboga, Bull, Teresa Sobral, Vera Fontes, Yola Pinto
Ano:2008
Argumento e Diálogos: Irina Calado
Som: Paulo Curado
Música: José Condeixa
Montagem: Luís Canau
Duração: 5.30 x 6
Formato: Betacam Digital
Produtor: Humberto Santana
Produção: Animamostra
Financiamento: MC/ICA, RTP
Distribuição: Animamostra
Website:http://seriemulher.blogspot.com/

Imagem da série Mulher; ep.02: "Salve o seu casamento"


sexta-feira, outubro 02, 2009

Filmes XXVII - "Zé Pimpão, «o Acelera» ", de André Letria

Título: Zé Pimpão - O «Acelera»
Ano: 2007
Duração: 8'
Suporte: Betacam
Realização: André Letria
Adaptação: André Letria
Grafismo: André Letria
Texto: José jorge Letria
Música: Mário Delgado
Animação: Miguel Motas
3D: Jonatas Barros
Produção Humberto Santana
Voz: António Feio
Storyboard: André Letria
Pintura de Texturas: André Letria
Direcção Técnica: Miguel Mota
Sonoplastia: Paulo Curado
Pós-produção Audio: Paulo Curado
Pós Produção Vídeo: André Militão e Pedro Oliveira
Assistente de Produção: Manuela Costa
Contabilidade: Fátima Cardoso
Produtora: Animanosta

Sinopse:
Zé Pimpão é um fanfarrão que gosta de exibir carro e condução a toda a gente, incluindo a si próprio. Desconhecendo as suas limitações julgase imune ao álcool...até ao dia em que sofre as consequências da sua estupidez.



Imagem do filme, Zé Pimpão - O «Acelera»


sexta-feira, outubro 24, 2008

Breve percurso das séries de animação em Portugal: Exploradores

II - Os Exploradores

Segue-se ao período pioneiro, aquilo a que podemos chamar um período de exploradores, tendo início em 1991 com a série “A Maravilhosa Expedição às Ilhas Encantadas”, é ainda em 1991/92 que se assiste a uma mudança de atitude do então IPACA, que passou a atribuir apoios financeiros públicos específicos para a produção de cinema animação. A “A Maravilhosa Expedição às Ilhas Encantadas”, exibida na RTP, era constituída por quarenta episódios de cinco minutos cada, destinada ao público infantil e realizada por Humberto Santana e Luís da Matta Almeida, que fundam, no mesmo ano, com Rui Cardoso a produtora Animanostra, cinema, audiovisual e Multimédia, Lda. Em entrevista a Ilda Castro, Humberto Santana refere:

“A Animanostra talvez seja a produtora mais próxima da ideia de produtora com características industriais, embora tenhamos muitas características artesanais. Conseguimos ter uma equipa permanente que os outros não têm, o nosso tipo de produtos abrange as séries de televisão para crianças e não só os filmes de autor. Se houvesse condições para haver uma indústria, a Animanostra seria uma produtora virada para a indústria; nas condições que existem, é uma espécie de mix”

Esta produtora irá desempenhar um papel importante na produção de séries de animação, sendo hoje a produtora com maior volume de projectos apresentados e apoios financeiros concedidos pelo antigo instituto do cinema, audiovisual e multimédia (ICAM), hoje instituto do cinema e audiovisual (ICA).
Em 1993 a Animanostra volta a produzir uma série, desta vez temática, destinada ao público infantil, “Poemas Pintados”, realizada por Humberto Santana, e constituída por doze episódios de um minuto cada, caracterizando-se por ser inspirada em ilustrações realizadas por crianças.
Em linha cronológica segue-se outra série para a RTP, “Desinquietações” (1994) de Mário Neves, que conta as desinquietações vividas por um casal e que se demarca pelo seu conteúdo, uma vez que pode ser tida coma a primeira série que dirige os seus conteúdos para o público adulto. No entanto aconteceram vários contratempos e a série não chegou a ser terminada completamente. Produzida pelo estúdio [Panorâmica 35], a série era composta por 52 episódios distribuídos por 3 fases de produção distintas das quais apenas a primeira, constituída por dezassete episódios foi concluída. Ficaram assim, da segunda fase da série, constituída por vinte e três episódios, cerca de metade dos para produzir, sendo que a terceira fase, constituída por doze episódios, aguarda, segundo Mário Neves [2003] “um realizador para continuar a série”[1], encontrando-se a mesma em produção suspensa por tempo indefinido. Em 1994 verifica-se ainda o encerramento de um dos estúdios pioneiros mais produtivos, a Topefilme. Questionado sobre o encerramento do estúdio Artur Correia refere o seguinte:
“Em 1991, terminada a série “O Romance da Raposa”, vimos negados todos os projectos apresentados para novas séries. Ainda aguentámos o estúdio aberto até 1994, mas, crescendo as dificuldades financeiras de sobrevivência, o estúdio encerrou as suas portas em Maio desse ano. (...) A razão estará, talvez, no aparecimento de publicidade executada noutros países e apresentada pela RTP. A falta de protecção oficial à nossa animação só foi compensada pelo aparecimento da Cartoon Internacional, que incentivava as produções dos países da Comunidade Europeia.”
No mesmo ano a Animanostra apresenta os episódio piloto (6 minutos) da série “As Aventuras de João Sem Medo” uma adaptação da obra de José Gomes Ferreira. Porém o projecto viu-se inviabilizado devido à falta de investimento financeiro. No ano seguinte, em 1995, a Animanostra produz ainda oito filmes piloto: para a série “Oscar” três episódios de trinta segundos, realizados por Humberto Santana; para a série “Tóni Casquinha” dois filmes de trinta segundos cada, realizados por Humberto Santana; para a série “Ginjas” três filmes piloto de três minutos cada, realizados por José Pedro Cavalheiro. Esta série viria a obter mais tarde, em 2005, um apoio financeiro por parte do então Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia, no valor de 200.000,00€.
Em 1996 é ainda produzida uma série de dez episódios de um minuto cada, para figurarem do programa infantil “Jardim da Celeste”. Esta série viria a ser produzida por Jorge Neves e realizada por José Carlos Pinto e Yann Thual.
A Animanostra produz ainda em 1996 outro episódio piloto de trinta segundos, para a série “Para Bom Entendedor”, realizado por Humberto Santana. Depois da produção de vários episódios singulares, eis que finalmente a Animanostra volta a produzir uma série cronológica de intervalo de grande envergadura, “A Demanda do R” (1997), realizada por Rui Cardoso e Humberto Santana, e co-produzida com um parceiro francês. A série infantil contava a história de três bravos animaizinhos, que tentavam resgatar a letra R, roubada por um terrível vilão e era constituída por treze episódios de treze minutos cada, tendo sido exibida na RTP1, RTP2 e editada em DVD. Ainda no mesmo ano a Animanostra produz “A Família Barata”, mais um episódio piloto de quatro minutos, realizado por Rui Cardoso. Por encomenda da RTP, realiza ainda duas séries, com vinte episódios cada para o programa juvenil Jardim da Celeste.[2]
Este período fica marcado não só pela experimentação a nível de produção, com co-produções estrangeiras, e muitas produções inviabilizadas, mas também pela experimentação a nível dos públicos, número e duração de episódios.
Apesar de surgirem novos apoios do estado à produção de cinema de animação, o número de produções/projectos inviabilizados é bastante significativo.



[1] O realizador efectua este depoimento em entrevista com Ilda Castro entre 1999 e 2003.

[2] Os episódios desta série foram elaborados por realizadores distintos.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Breve percurso das séries de animação em Portugal: Pioneiros

I – Os Pioneiros

Em Portugal a produção de séries de cinema de animação inicia-se nos anos 70 com o surgimento dos pequenos clips musicais televisivos, que assinalavam o final da emissão para o público infantil. Eram geralmente canções de embalar com uma letra divertida e acessível, “A Família Pituxa” e “Boa Noite, Vitinho!”, entre outros. É possível que este género de série de animação tenha sido “importado” de França, uma vez que me 1964 é exibida na televisão francesa a série “Le Manège Enchanté” da autoria Serge Danot, que segundo Rui Pedro Vieira (2005) “chegou também à Grã-Bretanha, com a estação BBC a transmitir diariamente um episódio ao início da noite”. Este tipo de exibição tornou-se popular na Europa e a vizinha Espanha não foi excepção, em 1965 é criada por José Luís Moro a “Família Telerín”, protagonista dos clips musicais espanhóis.
Em 1971 surge em Portugal a “Família Pituxa” que exibe notórias referências à espanhola “Família Telerín” e às personagens da série francesa “Le Manège Enchanté”. As personagens femininas apresentam semelhanças nas três séries, exibindo um lacinho na cabeça. O cão da “Família Pituxa” é uma clara homenagem ao Pollux francês, a Joana portuguesa deixa fugir o seu pijama da mesma forma que a Cleo espanhola e o bebé Pelé encontra o seu homónimo no bebé Cuquín.
Estas referências podem ser justificadas pela proximidade dos realizadores portugueses com os realizadores espanhóis, uma vez que Artur Correia e Ricardo Neto, fundadores do estúdio Topefilme, trabalharam em Espanha no estúdio Telecine-Moro, de Santiago e Luís Moro, realizadores da “Família Telerín”.
O tema deste tipo de séries de clips musicais é recorrente: marcar a hora de os mais novos se deitarem, e cada episódio é exibido durante um certo período de tempo que varia entre meses e anos. Quando a validade do episódio expira ele é substituído por outro, onde as personagens se mantêm.
Em Portugal, sstas séries eram encomendadas pela RTP (televisão pública portuguesa) e produzidas em estúdios de animação diversos. O tempo de exibição deste tipo de série variava substancialmente, dependendo, na maior parte das vezes do seu sucesso junto do público infantil. A série “O Patinho”, realizada por Rui Cardoso e produzida pelos estúdios da Animanostra em 1999/2001, é o exemplo mais recente e mediático, tendo alcançado um enorme sucesso. Segundo Humberto Santana (2003) “a rentabilidade [da série] foi de um para cem, investiu-se mil e ganhou-se mais de cem mil”. No entanto a série seria retirada do ar após os responsáveis de programação da RTP considerarem que “mandar as crianças para a cama é perder audiência” [Santana:2003]. Apesar deste contratempo em terras nacionais, o filme do patinho alcançou uma boa aceitação a nível internacional, tendo o Museu do Audiovisual de Nova Iorque adquirido uma cópia do filme para que a mesma configurasse dos seus arquivos.

A estas séries de clips musicais segue-se aquela que podemos considerar como sendo a primeira série temática portuguesa, “Contos Tradicionais Portugueses”, realizada por Artur Correia e Ricardo Neto na Topefilme, entre 1974 e 1977. A série exibida na RTP, e apoiada financeiramente pelo Instituto Português do Cinema, apresentava vários episódios de 8 minutos cada, onde os contos tradicionais portugueses como o “Caldo de Pedra”[1] ou “Os dez Anõezinhos da Tia Verde Água”, eram apresentados, não só aos mais novos, mas aos adultos também, tendo corrido todo o país, “em salas de cinema, em casas do povo, agremiações”. Artur Correia (2003) diz “ tal foi o sucesso, tantas as cópias tiradas, que se estragou um negativo, e foi feito um novo negativo a partir de uma cópia nossa [de Artur Correia e Ricardo Neto]”. Segue-se aos “Contos Tradicionais Portugueses” a série “O Ouriço-Cacheiro”, realizada também por Artur Correia e Ricardo Neto na Topefilme entre 1979 e 1989, tendo sido exibida na RTP. A série destinava-se ao público infantil e relatava as várias peripécias de um ouriço e seus companheiros em 9 episódios de 8 minutos cada. Escrita por Maria Alberta Meneres, esta foi uma série cronológica de intervalo popular na altura, tendo obtido, segundo Ricardo Neto, o primeiro lugar num festival que premiava a qualidade dos filmes dedicados ao público infantil. A encerrar aquele a que podemos chamar de primeiro período da produção de séries de animação temos a série “O Romance da Raposa” realizada por Artur Correia e Ricardo Neto na Topefilme entre 1987 e 1988. De toda a produção balizada entre 1970 e 1988, a série “O Romance da Raposa”, uma adaptação do romance de Aquilino Ribeiro, é a mais longa e elaborada, sendo constituída por treze episódios de treze minutos cada, apresentando no seu total 169 minutos, sendo a primeira série de grande envergadura produzida em território nacional. O sucesso que alcançou fez-se sentir não só a nível nacional, mas a nível internacional, tendo sido exibida em várias televisões internacionais, nomeadamente na Europa do Leste. Ainda hoje é possível encontrar várias referências a esta série na Web, nos fóruns sobre séries infantis ou desenhos animados, sejam eles nacionais ou internacionais[2].

Ainda durante este período podemos assinalar dois casos isolados, o primeiro referente a um episódio produzido em Portugal, pela Topefilme em co-produção com a Corona Cinematográfica, no ano de 1974, com o objectivo de participar num projecto europeu que consistia num conjunto de episódios reunidos sobre o tema “Série Favolística Europeia” e que se intitulava “Lenda do Mar Tenebroso”. Este episódio, realizado por Ricardo Neto tinha a duração total de doze minutos e marcou, segundo ele “a primeira presença portuguesa internacional a nível europeu, num conjunto de curtas-metragens de animação de diferentes estúdios da Europa.” [Neto:2003].

O segundo caso está relacionado com a realização de um episódio piloto para uma série, que não chegou a ser concretizada. O episódio intitulava-se “Patilhas e Ventoinha em o Caso da mosca TV” e tinha sido realizado por Artur Correia e Ricardo Neto, tendo a duração de um minuto. No entanto, por falta de apoio financeiro a série acabou por não se realizar.





[1] Este episódio foi seleccionado para o Festival Internacional Lucca em 1976 e para o Festival Internacional de Zagreb em 1978.

[2] É possível encontrar várias referências nacionais e internacionais à série na Web: www.mistériojuvenil.com (Portugal);

www.alambiquezz.blogspot.com (Portugal)

www.youtube.com/AnimacaoPortuguesa (Portugal)

www.memorabilia.blog.hr (Hungria);

http://static.wikipedia.org/new/wikipedia/hr/articles/l/i/s/Lisica_Sko%C4%8Dibarica_6143.html (Hungria)